Atrasado, devido à noite tumultuada pela frequente insônia
Passos espaçados, a fim de buscar o último trem
Não lembrava para onde deveria ir
Mas o corpo o impulsionava a uma rotina
Um ciclo que girava constantemente
Ele não conseguia acompanhar-se
Sufocado, sob o próprio cárcere
Um emprego muito desejado
Um salário muito almejado
Uma carreira muito dedicada
Uma insatisfação demasiada
Preso, dentro da vida apressada
Que não lhe dava sossego
Vida imposta por ele mesmo
Vida pesada que mal podia carregar
Vida que não precisava tanto assim
Aliviado, olha o trem vindo em sua direção
Decide segurar nas mãos as rédeas de sua história
Mas ela estava tão xucra, tão arisca que soltou-se
Perdeu-se o controle, ou tomou-se
Bem debaixo do trem.