quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

Caixa de cartas

 


Hoje, 23/12/20, conversando com a minha amiga Kally (vou começar a dar nomes, porque daqui 10 anos eu não sei mais de quem eu tô falando), falávamos sobre ciclos e Saturno em Aquário e tudo mais... Daí comentando algumas coisas do passado e me deu vontade de remexer nele! Hahahahaha Então eu fui fuçar nas minhas cartinhas... Ok, na verdade eu estava procurando uma específica, uma de amor, uma de declaração de amor de alguém pra mim. Não encontrei, porque provavelmente em um acesso de raiva eu coloquei no lixo picada em mil pedacinhos ou então devo ter posto fogo... No fundo eu sabia que eu já não tinha mais aquela carta mas, teimosamente, fui procurar. Daí acabei relendo várias outras cartinhas... Essas sim eram de amor, de amigas, de amizade e que diziam um monte de "pra sempre". E além dessa promessa de infinito, as cartas me diziam coisas MUITO especiais. Isso me fez pensar que talvez devamos voltar a escrever cartas de papel, sabe? Porque com esse mundo tão virtual, às vezes a gente acaba perdendo senhas ou não sabemos mais onde estão as coisas. Eu fiquei muito feliz por eu ter guardado várias dessas cartas (não, eu não guardei todas, principalmente as que não falavam coisas muito boas pra mim kkkkkkkkkkk não sou boba e a Marie Kondo disse que é só pra guardar o que nos traz alegria u.u). Enfim, não achei a de "amor" que eu procurava, mas reli várias que me lembraram que o amor mais duradouro é feito mesmo de amizade.

domingo, 20 de dezembro de 2020

Retrato

Há situações que nos mostram claramente quem evoluiu e quem ficou estagnado.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

terça-feira, 30 de junho de 2020

Realidade surreal

   
Eu, em fevereiro de 2020, inacreditavelmente ainda estamos neste mesmo ano. Como diria Chorão: "como pode tudo mudar?
em um segundo nem pensar
não vou voltar pra trás
agora é assim que vai ser"

   Estamos fechando 3 meses e meio de isolamento social. Chegou a hora falar sobre como me sinto e talvez alguém que leia isso também se sinta assim, portanto: BEM VINDO AO "GRUPO DO DESABAFO DA QUARENTENA ETERNA"! 
   Eu sou uma pessoa mega sociável, amo conversar, falo até demais e mesmo que eu esteja tendo contato virtual com inúmeras pessoas, nunca me sinto satisfeita. Será que isso é normal? É uma fome insaciável de companhia, é uma sede de gente que se assemelha a de uma horrível ressaca de vinho tinto seco... Pareço carente? Pode ser... Mas esse sentimento está tomando conta. 
   Sinto falta de sentar na mesa do bar com meus amigos, de dar risada sem pensar nas partículas que escapam pela minha boca aberta. Quero cochichar, sem ter que aumentar o tom de voz para ser ouvida por de baixo da máscara. Quero entrar nas lojas e escolher com minhas próprias mãos os produtos. Eu quero voltar a encostar no mundo sem medo de contrair um vírus. Como eu posso segurar a solidez da realidade enquanto algo invisível me prende dentro de casa? É realmente surreal, um paradoxo que até então era impossível. 
   Me sinto enlaçada por uma corda de medo que me sufoca. Eu quero voltar a me sentir livre, quero comer naquele prato coletivo o brigadeiro quente, quero tomar caipirinha no mesmo copo que em que umas 30 pessoas estão colocando a boca. Quero respirar fundo e pensar que no ar só tem poluição. 
   Pensando bem, após escrever isso eu me dou conta da minha doença, ela se chama SAUDADE.

sábado, 11 de janeiro de 2020

Os Caídos - Jenifer Schnorr e July Helen



Foi durante uma noite de caçada, num beco escuro e vazio que eu a encontrei. Ao tocá-la para tomar sua vida, ela simplesmente me sente e grita. Ao trocarmos um olhar assustado decido levá-la comigo, pois ninguém jamais havia me enxergado na terra. Em meio a protestos inúteis vindos da parte da garota, tranco-a numa cela em meu porão, que há alguns anos chamo de casa. Lá, atordoado, inicio meu interrogatório:
           - Garota, quem é você?! Como pode me enxergar?!
           - O quê? Como assim? Será que você poderia me soltar? Eu estava a caminho do meu emprego... Meu chefe vai mandar a polícia me procurar e você vai se ferrar, seu sequestrador esquisito!!!  - fala dissimulando.
           - A caminho do emprego? Num beco escuro? – sei que está mentindo.
           - É que eu estava escondida... – sinto tristeza em sua voz.
           - Por que? – pergunto curioso.
           - Porque eu estou fugindo... Dá pra você tirar essa fantasia ridícula primeiro?
           - Fugindo de quem?          
           - Da minha vida. – ela vira o rosto para esconder sua infelicidade.
           - Bom, eu não acho que isso seja uma boa coisa. Pois eu fui obrigado a fugir da minha, então acho que você deveria voltar pra casa.
           - Tá bom, tio. Agora, tira essas asas idiotas das costas? – tio? Tá bom...
           - Isto não é uma fantasia.
Intrigado, deixei-a falando sozinha e fui para meu quarto pensar. Garota insolente, corajosa, fugitiva e é a primeira pessoa a enxergar o sobrenatural... A fome de alma está me matando, infelizmente, contra minha vontade, preciso caçar novamente.
Volto satisfeito e mais calmo para conversar com a menina. Mas ela estava dormindo, deitada no chão, seu cabelo negro espalhava-se pelo piso imundo. Em contraste com sua pele alva, vejo uma marca ao lado direito do seu pescoço. Uma marca familiar, mas nem tanto. Era a forma de um pássaro negro. Ao reconhecer a marca quase compreendendo todo mistério da garota, decido voltar mais tarde, quando ela estiver acordada.
Quando ela acorda de seu precioso sono, estou encarando-a, sentando numa cadeira azul em frente à cela. Ela se assusta com minha presença, mas logo se lembra onde está e fica irritada novamente.
- Seu tarado! Me tira daqui! Olha bem pra mim, sou apenas uma garota indefesa! Se vai me matar, me mate de uma vez, não preciso de mais sofrimento.
- Mais sofrimento? O que quer dizer?
- Eu disse que estava fugindo. Já dá pra desconfiar né? Alguém foge de alguma coisa boa?
- Pode me explicar melhor sua situação? Preciso entendê-la, Srta.
- Srta? De que mundo tu veio, tio?  - ela ri, pela primeira vez – Bom, fui adotada, há uns três anos atrás, por um casal de psicopatas que nem você assim, que prende as pessoas e tal.
- Adotada? Mas quantos anos você tinha? – começo a confirmar minha desconfiança sobre a história dessa menina...
- Eu tinha doze anos, há dois vivia no orfanato. Me acharam caída na rua, sem memória, sem roupas, sem nada. Até que este casal bizarro me adotou. Mas foi muito pior que o orfanato... Lá eu era mantida presa dentro de casa, não podia estudar, falar com outras pessoas, apenas arrumar a casa e ler uns livros embolorados que eles tinham lá.
- E essa marca em seu pescoço?
- Você também?! Poxa, este casal me adotou justamente porque eu carregava esta marca... Eles disseram que eu era especial. E se eu era, porque eles me trancafiavam? Eu não aceitava isso, não conseguia entender, por isso fugi, na primeira oportunidade.
- Então você tem quinze anos agora, não é? -  ela assentiu – Eu acho que posso ajudá-la com sua perda de memória, pois eu conheço seus pais verdadeiros.
Chocada, ela se interessa pelo que eu tenho a dizer, chegando mais perto da grade.
- Bom, há quinze anos atrás sua mãe, Cristalina, uma deusa extremamente magnífica cometeu um grande erro: traiu seu marido com seu pior inimigo, chamado Bestus. Essa traição gerou um lindo bebê, que com certeza é você. Mas o Grandioso foi enganado, acreditando ser seu pai biológico.
Ela ri, parece que não está acreditando muito, mas eu sei que está, pois é um riso falso.
- Ao fazer dez anos de idade, todas as criaturas do reino são agraciadas com uma marca, que surge naturalmente, mostrando sua posição no mundo sobrenatural. Foi então que o deus Grandioso descobriu a traição. Furioso ele mandou-me dissipar Cristalina na dimensão dos esquecidos, eu como anjo imaculado, neguei-me. Então ele teve de fazer com as próprias mãos, acertando uma flecha na garganta de sua amada traidora. Ela dissipou-a e à ti ele não teve coragem de ir contra. Te botou na terra, limpou tuas lembranças e pelo visto arrependeu-se, colocando estes protetores para te adotarem.
- E você quem é?
- Um anjo caído, amaldiçoado a matar pessoas inocentes como castigo por não ter matada a deusa. Além disso, a humanidade me ignora, fazendo-me invisível. Foi assim até você aparecer.
Então, consigo atingir seu coração, pois seus olhos enchem-se de lágrimas.
- Se esta história é verdade – ela toca em meu braço – eu como ser sobrenatural, filha de deuses, te concedo o perdão e te faço livre de todas as maldições, transformando-o em um humano de carne e osso para viver uma vida normal.
Ao terminar de dizer tais palavras, um raio de luz toma conta do porão e em seguida minhas asas estão caídas no chão.