Eu, em fevereiro de 2020, inacreditavelmente ainda estamos neste mesmo ano. Como diria Chorão: "como pode tudo mudar?
em um segundo nem pensar
não vou voltar pra trás
agora é assim que vai ser"
Estamos fechando 3 meses e meio de isolamento social. Chegou a hora falar sobre como me sinto e talvez alguém que leia isso também se sinta assim, portanto: BEM VINDO AO "GRUPO DO DESABAFO DA QUARENTENA ETERNA"!
Eu sou uma pessoa mega sociável, amo conversar, falo até demais e mesmo que eu esteja tendo contato virtual com inúmeras pessoas, nunca me sinto satisfeita. Será que isso é normal? É uma fome insaciável de companhia, é uma sede de gente que se assemelha a de uma horrível ressaca de vinho tinto seco... Pareço carente? Pode ser... Mas esse sentimento está tomando conta.
Sinto falta de sentar na mesa do bar com meus amigos, de dar risada sem pensar nas partículas que escapam pela minha boca aberta. Quero cochichar, sem ter que aumentar o tom de voz para ser ouvida por de baixo da máscara. Quero entrar nas lojas e escolher com minhas próprias mãos os produtos. Eu quero voltar a encostar no mundo sem medo de contrair um vírus. Como eu posso segurar a solidez da realidade enquanto algo invisível me prende dentro de casa? É realmente surreal, um paradoxo que até então era impossível.
Me sinto enlaçada por uma corda de medo que me sufoca. Eu quero voltar a me sentir livre, quero comer naquele prato coletivo o brigadeiro quente, quero tomar caipirinha no mesmo copo que em que umas 30 pessoas estão colocando a boca. Quero respirar fundo e pensar que no ar só tem poluição.
Pensando bem, após escrever isso eu me dou conta da minha doença, ela se chama SAUDADE.
