- Vamo Gisele!! Tu tá indo pro
colégio, não pra festa, sai da frente desse espelho!! Ô fasezinha essa tua
hein....
- Tô indo mããããe - Ok. É agora ou
nunca.
- Que isso guria?
- É moda mãe, estamos em 2005 e
eu tenho 13 anos, não é mais a tua época, 1840 e lá vai pedrada...
- Aham, engraçadinha, entra nesse
carro duma vez.
Ai meu Deus. O Fabrício está bem
na frente da escola, (sinal da cruz rápido, três vezes), tomara que hoje ele
diga algo. Putz, a mãe viu.
- Olha lá hein Gisele, nada de
ficar fazendo sinal da cruz pra namoradinho. Deus não tem nada a ver com isso
menina, te vira sozinha com esses draminhas pré-adolescentes.
Obrigada pelo apoio mãe.
- Tá tchau.
- E meu beijo?
- Jura mãe, que mico. Vai, vai...
- Creeeedo, ô fase... Tá to
indo... Que guria xarope...
É só atravessar a rua Gisele,
finge que tu é a Bündchen, ergue o rosto e segue o rumo do portão. Força
garota.
- Oi.
- Oi.
Só isso? Melhor que nada.
Primeira aula de hoje é História,
professor Clóvis Manfredo, chato pra dedéu.
Já é metade do primeiro período. Não sei o que
tá acontecendo, acho que tá rolando alguma fofoca entre o pessoal. Porque eu vi
um bilhete passando da Carolina pro Maurício, do Maurício pro César, do César
pra Cidinha e depois da Cidinha foge do meu raio de visão permitido pelo
professor Clóvis, então pode ter passado pelo Fabrício também... Todos que eu
vi lerem fizeram cara de “Aham”. Ai, porque será que não passaram pra mim?
Ííííh, o profe Clóvis pegou!!
- Que tá acontecendo aqui hein??
Carlos, passa pra cá esse maldito papel que está atrapalhando minha aula!!
Primeiro o profe Clóvis leu para
si, em seguida fez uma cara azeda, depois deu um sorriso sem mostrar os dentes,
então olhou pra mim e disse em voz alta o que dizia o bilhete:
- Até que a Gisele fica tri de
boné.
Ninguém respirou, mas eu sorri.
Será que foi o Fabrício que
escreveu?
Fiz mentalmente o sinal da cruz 6
vezes, em agradecimento.